segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Vencedor - Capítulo 8

O Vencedor

Capítulo 8


“Marca um dez e sobe.”

Ele soou mais sexy do que autoritário na voz pesada de álcool. O bafo me deixando bêbado junto, mas bêbado de luxuria. O cheiro que tinha na cabeça do pau dele, o bafo, o cheiro de cigarro e o perfume resistente, caro, como eu já tinha dito.

O meu dono tinha chegado. E vinha, de novo, todo senhor, imperativo, ciente de que era dono. E vinha reclamando o que era seu.

Subi e o encontrei em pé com uma garrafa de champanhe quente na mão, vestido exatamente como estava de manhã. O short velho de nylon azul claro que, agora, estava com manchas esbranquiçadas espalhadas na parte da frente.

Olhei pra ele esperando o comando, qual seria agora? Ele pareceu reconhecer e apreciar isso. Apenas me observou gozando os efeitos de seu poder sobre mim. E, então, sem abrir a boca, olhou de mim para o chão em frente a ele e voltou a me olhar. Uma ordem havia sido dada ali e me cabia obedecer.

Me ajoelhei na frente de Maurício e olhei pra cima em busca de seus olhos. Ele sorriu com malícia um instante antes de forçar meu rosto contra seu pau por sobre o short. O cheiro do nylon, e da sujeira no nylon, o toque macio do piru revestido de nylon. Cheiro de mijo, de cigarro, de bêbado. Eu tragava os odores de Maurício como se fossem oxigênio. E eram para as minhas necessidades.

Ele ficou se divertindo com o que me causava ao se esfregar em mim, ao esfregar seu sexo na minha cara.

“Vem.” Ele foi sentar na cadeira de escritório que tinha no quarto.

Ele tirou o short, descansou a garrafa na escrivaninha e acendeu um cigarro. Quando eu cheguei perto, ele se acomodou com a bunda no limite da cadeira e abriu as pernas. O saco e o pau pendendo livres.

“Vem se esfregar na minha rola.”

Não esperei. Cai de cara em seu ventre e o cheirei e acariciei com meu rosto.

“Me lambe aí tudo.” As sobrancelhas altivas.

Lambi todos os cantos que podia encontrar, as virilhas, as bolas, o canto entre saco e virilha, lambi. Lambi e chupei seus pentelhos e inalei e mordi com carinho. Maurício ria maldoso. Terminou o cigarro e levantou empurrando a cadeira pra trás.

Ele me segurou pelos cabelos da nuca e me puxou para encará-lo, me olhou bem no fundo dos olhos e por um instante vi um lampejo do que achei ter sido ternura ou pena; ele aproximou o rosto do meu e numa fração de segundo, discerni o inconfundível som frio,  antes de sentir o cuspe caindo nos meus lábios. Estremeci de susto, ainda assim.

“Pensou que eu ia beijar você?” O olhar gelado, brilhando maldade. “Achou que eu ia colocar minha boca na sua?” 

Cuspiu de novo. Forte e farto, dessa vez na minha bochecha e espalhou com a mão pelo meu rosto. Aproveitando a mão ali, talvez, tampou minha boca e encostou a sua própria no dorso e, num requinte de sua crueldade, simulou que me beijava como quando éramos crianças.

Tornou a erguer meu rosto para si e cuspiu novamente em meus lábios. Fez deslizar a cabeça de seu pau por eles molhados, devagar como se fosse um pincel dando vida a uma tela em branco. Quis abrir minha boca para engolir a glande macia e tomei uma pirocada que machucou meu lábio, contra o dente.

“Eu mandei?” Fiz que não. 

Outra cuspida no rosto desta vez espalhada pelas bolas que deslizaram no meu rosto pra cima e pra baixo, me impregnando do cheiro delas.

“Abre a boca.”

Cuspiu dentro.

“Engole.”

Engoli.

“Aaaa.” Ordenou.

Cuspiu de novo.

“Agora, saboreia, sente na boca. Abre.” Cuspiu mais uma vez e enfiou a pica com vigor até alcançar o máximo da minha garganta.

Eu estava preocupado porque eu não sabia como chupar, só tinha chupado o próprio Maurício, havia tempo; mas a preocupação se tornou vã quando percebi que eu não estava ali para chupar e sim para que tivesse a boca fodida.

Os sons que eu emitia eram como os de alguém que estivesse afogando. O pau de Maurício saía e entrava fundo, sem pena da minha boca obedientemente aberta para o seu ir e vir violento. Não se importava. Enfiava e tirava apenas e forçava fundo, uma vez que tivesse tornado a enfiar.

Meus lábios sentiam sua púbis pressionando, a pica querendo ir mais fundo. As mãos dele firme em minha nuca, prendendo, puxando, fazendo dele. Eu queria engolir o quanto pudesse, queria engolir mais. Engolir junto as bolas, a virilha. Queria engolir o sexo todo do meu dono. Queria, assim, ser a boca em que ele metia e fodia, ser a língua em cujo atrito ele achava prazer, queria ser a goela onde ele guardasse a cabeça do pau, sentir a intensidade dos seus movimentos, a força de sua metida, a surra de pentelhos no nariz. Me alegrava saber que era em mim que ele vinha ter prazer.

Maurício gemia e parecia saber exatamente o que se passava na minha cabeça.

“Tá gostando? Você gosta disso?” E fazia cara de nojo. “Como você pode?” E metia fundo e sem parar. “Que nojo, cara. Você não tem vergonha de deixar um cara fazer isso contigo?”

“Te dá prazer se sentir um buraco? Saber que eu só tô aqui porque tô com vontade de gozar e você era a opção mais rápida? Gosta de ficar com a boca aberta pra minha rola?” Ele falava e enfiava pica goela abaixo, me deixando tomar curtos tragos de ar enquanto saía pra voltar a entrar.

“Eu posso fazer o que eu bem quiser, né? Você não vai se opor a nada. Coisa triste, cara.” E enfiou fundo e trancou minha cabeça no que me pareceu uma eternidade vermelha e inchada. “Aguenta minha rola, deixa ela dentro. Isso. Toma minha pica. " Esperou um pouco mais e tirou a pica da minha boca me liberando pra voltar a superfície e encher meus pulmões de ar. Me cuspiu repetidas vezes e mandou que eu deitasse na cama.

“Aí, não.” Disse rápido quando eu fui em direção a cabeceira. “Deita na ponta com a cabeça pra fora.”

Entendi como ele queria. Deitei de barriga pra cima com a cabeça pendendo indefesa pronta pra ser fodida. Ele prendeu minha cabeça entre suas coxas e o saco peludo caiu sobre meu nariz e boca, se esfregando babado. Chupei seu saco, querendo comê-lo, lambi, beijei, fiz amor com o saco do homem que eu desejava. Ele se masturbava enquanto eu lambia o seu saco amorosamente.

“Saco é humilhação demais, não acha não? Um saco melado lambuzando sua cara toda.”

“Eu gosto.”

“Gosta, filho da puta?” Aquele “filho da puta” de macho com o “pu” tônico e bem articulado. “Abre a porra da boca. Vamos ver se você gosta.”

Maurício fodia feito um louco, como se ao invés de uma boca estivesse dentro de uma boceta, mas eu adorava aquilo. O animal nele fazendo a vara deslizar pelos meus lábios e língua pra, então, descansar no fundo. Era delicioso. E tinha hora que ele brincava, metendo devagar e manso, curtindo as sensações em seu caralho molhado da minha saliva misturada de seu cuspe.

Sentia-o rebolar dentro da minha boca, fodendo a minha cara conforme melhor lhe aprazia. 
E isso nem me dava prazer só porque era Maurício ali gozando de mim.

“Quero mijar.”

“Eu não vou sair daqui.” Me atrevi a um gracejo.

“O quê?” Ele fez de que não tinha entendido. “Não. Eu não vou sair daqui pra mijar. Eu tenho sua boca pra isso. Ou você não veio pra todas as minhas vontades?”

“Anda. Ajoelha aqui.”

Me ajoelhei.

“Abre a boca.”

Abri e ele colocou o pau ainda duro dentro.

“Fecha. Não deixa pingar no chão.”

Ele segurou minha cabeça, fechou os olhos, concentrado, e comecei a sentir o mijo quente, salgado e amargo, deliciosamente preenchendo a minha boca.

“Engole.” Ele parou de mijar e disse.

Engoli satisfeito. Na minha cabeça eu pedia: “Mija, meu dono. Mija mais, gotoso.” E ele me atendeu. Encheu minha boca e me fez engolir várias vezes, enquanto eu como que orava pedindo “Mija, macho.” e tinha minha boca cheia pra engolir de novo. 

Não me incomodava de ser sua latrina. Me excitava. Meu pau doía rígido na cueca. Era o dejeto de Maurício que eu bebia. Quando terminou, sacudiu as últimas gotas no meu rosto e me deu o pau pra lamber.

Ele me deu o saco pra comer e fiquei lá esquecido da vida, lambendo enquanto ele tocava uma. Quando enfiou pela minha boca e bombou ofegante, não demorou pra que esguichasse porra farta que escorreu pela minha garganta enquanto ele mantinha minha cabeça presa contra a sua púbis sem me dar escolha.

Maurício tirou o pau da minha boca bruscamente e o esfregou no meu rosto lambuzado. Me cuspiu de novo.

“Vai.” Disse batendo com a rola onde tinha acabado de cuspir. “Vaza.”



Continua... 

<<<Comentem que eu me encorajo a continuar contando. Gostaria de saber quem são vocês que se interessam pela minha história.>>>

domingo, 14 de janeiro de 2018

O Vencedor - Capítulo 7

O Vencedor 

Capítulo 7


Queria poder dizer que eu acordei ainda com o gosto do gozo de Maurício na minha boca, mas, se serve de consolo, o olho esquerdo acordou fechado, remelento, como se eu estivesse com conjuntivite. Como isso me lembrava a noite anterior, não pude conter o sorriso que me roubou o rosto. Suspirei como uma mocinha apaixonada de José de Alencar que tivesse recebido um cacho dos cabelos do prometido. Fico pensando em como ela acordaria se, ao invés do cacho, tivesse recebido pés e porra. Não tão feliz quanto eu, imagino. Ninguém são se veria feliz desse modo.

Apesar de toda a alegria que me causava, eu não podia negar a brutalidade da verdade: jamais passaria daquilo. Jamais deixaria de ser só carne e pele e usufruto. Eu ia sempre ser jogado fora no instante em que ele gozasse.

“Foda-se.” Eu lembro que pensei. Lembro também que logo em seguida me dei conta de que ao dizer “foda-se” eu dizia “foda-se” para mim mesmo, coisa pra qual realmente eu estava pouco me fodendo.

Eu ali ainda não tinha me lembrado do mito do girassol, da pobre da Clítio que virou flor, plantada que ficava a vigiar Apolo dirigindo o carro do sol. Idiota feito eu. E Apolo lá em cima, nem aí, vivendo sua vida divina.

“Foda-se de novo.” Eu disse encarando o olho vermelho no espelho. “E foda-se mais e outra vez. Foda-se. Foda-se. Foda-se.”

Pra que me impedir a humilhação? De que orgulho eu precisava tomar conta? Eu era só o filho da empregada que morava de favor. Uma ninfa que ousou se dar a amar um deus.

Eu fui correndo pro banheiro. Lavei os cabelos que era pra justificar o olho vermelho, caso minha mãe me visse antes de eu chegar à gaveta da farmácia na cozinha.

“Tá com conjuntivite?” Foi seu João, que tomava um cafezinho à mesa da cozinha, quem logo me perguntou. Ao lado dele, um Maurício sem camisa que tomava o seu café da manhã.

“Que olho vermelho é esse?” Minha mãe tirou os olhos do fogão alarmada pela pergunta do seu João.

“Foi o shampoo, agora.”

Maurício continuou quieto, nem riu ou me olhou significativamente. Acho que teria sido interação demais comigo assim logo cedo. Se tivesse reagido de qualquer maneira ao que sabia ser sua culpa, teria denotado cumplicidade demais da parte dele para comigo. E ele não estava ali para nada disso.

“Só vou colocar um colírio pra parar de arder.” Disse já com o frasco de Moura Brasil na mão.

“Onde você se enfiou ontem?” Minha mãe não sabia o que significava “lavar roupa suja em casa”. Não a culpo. O nosso conceito de casa era bastante deturpado pra que ela pudesse.

“Eu te disse. Era aniversário do Matheus.”

“Que Matheus, Abel?”

“Mãe, eu te falei. O Matheus do curso de francês.” Aí, eu já estava perto o bastante para cutuca-la na barriga sem que os outros dois pudessem ver.

“Ah, o Matheus, claro.” Ela disse cínica, muito pouco convincente. “Vai tomar café, meu filho.”

“Bem, eu vou indo que tenho que levar o carro pra vistoria e isso toma tempo.” Seu João se levantou e saiu da cozinha sem ser notado quase.

“Filho, olha essa panela pra mim? Preciso ir ajeitar os banheiros.”

“Tá.” Respondi meio que trêmulo.

Assim que minha mãe saiu, o silêncio tomou conta da cozinha. Eu estava à mesa de frente pra ele, mas não me atrevia a olhá-lo. Queria falar, queria dizer que tinha gostado muito e queria de novo sempre que ele quisesse. Eu queria atestar com palavras o tamanho da humilhação toda. Mas ao invés disso, enchi uma caneca com café e fiquei quieto.

Maurício se levantou. Usava apenas um short velho de nylon sem cueca, pelo que pude ver. Ele levantou os braços e se espreguiçou. Os sovacos peludos abertos demoradamente como que convidando minha língua. O caminho de pelos na barriga e o pau levemente duro como acontece às vezes quando nos espreguiçamos. Ele o apertou e o desenho se discerniu perfeito por sobre o tecido. Suspirou descansado e saiu da cozinha sem nem ter olhado pra mim.

Imagina que você foi muito mau a vida toda e morreu e foi logo sentenciado ao inferno. Você está lá de boa, aceitando suas chamas até que chega um anjo de luz e te convida pra um voo em direção ao céu, onde você vai morar agora, mas, então, num estalar de dedos, a máscara do anjo cai e ele solta suas mãos e você cai. Cai profundamente de volta para o fogo.

Pelo menos, sem ele ali, eu podia comer sem me sentir constrangido, ora por comer da comida que era dele, ora por comer mesmo, que era coisa de gordo e também uma coisa muito ordinária pra se fazer diante de uma presença tão soberana.

Apaguei o fogo dos legumes que minha mãe cozinhava. Sônia gostava de salada de legumes cozidos, mas raramente acordava para almoçar. Principalmente, quando enchia a cara de whisky. Minha mãe, porém, fazia conforme ela dizia.

Não vi Maurício pelo resto do dia, ficou trancado no quarto. E como tudo o que eu encontrava ânimo pra fazer precisava ter a ver com ele, não fiz nada além de ficar na minha cama, fingindo que ouvia música.

Eu tinha de fazer algo da minha vida. Vá lá que eu só tinha dezessete anos ainda, mas o tempo não espera e eu não podia me dar ao luxo de ficar esperando viver de Maurício ou tentar acompanhar a vida dele que já era virada pra lua por excelência.

Esse rompante de força e quase determinação foi embora tão logo quanto veio. Eu sabia bem que não ia fazer nada. Que não teria forças e ia ficar me debatendo, moído, de não estar onde ele pudesse me achar facilmente. Eu não ia fazer nada. Não ia ser ninguém a não ser a sombra triste que se forma em volta da luz dele.

Eu não tinha vontade de ler um livro, uma revista... Não achava graça na tv ou em filmes. Desliguei até a música e fiquei deitado olhando pro teto. Me masturbei algumas vezes e fantasiei que Maurício me amava. Isso eu conseguia fazer.

Quando saí do quarto, no que já devia ser umas sete da noite, foi só pra sentir o cheiro do perfume caro de Maurício, o que parecia indicar que ele tivesse saído. Sônia também tinha saído, minha mãe me disse.

“Onde você foi ontem de verdade?”

“Eu fiquei sentado na estátua do Drummond.”

“O quê?”

“É. Foi isso. Fiquei sentado e tomei umas com ele.”

“Você quer ser assaltado? Você ficou maluco? E quem é esse tal de Matheus?”

“Não existe Matheus nenhum, mãe. Eu só disse isso como desculpa pra não ficar no jantar, lembra?”

“Você anda muito esquisito, Abel.”

“Por quê? Por não querer ficar num jantar com pessoas que me zoaram o ensino médio inteiro?”

“Não é isso. Não sei. E não começa com essa de ficar bebendo, hein. Espero que isso não vire uma rotina.”

“Não vai virar, mãe. Não sou dos vícios.”

“Ninguém é até viciar.”

“Fica tranquila.” Meu vício é de outra natureza. Talvez até pior.

Nós jantamos ali na cozinha o almoço intocado. Sônia não acordou pra comer e nem quis. Maurício tomou café tarde. Eu não quis almoçar e minha mãe e seu João comeram algo que tinha sobrado do jantar.

Lavei a louça e arrumei a cozinha, depois deitei e fiquei meramente brincando com meus cabelos. Até que peguei no sono...

E acordei com um cheiro de mijo bêbado curtido se esfregando em minhas narinas.


Continua... 

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Vencedor - Capítulo 6

O Vencedor

Capítulo 6


“Você ainda tá com isso na cabeça?” Foi o que eu perguntei, atrevido, assim que voltei pra sala de jantar. Minha mãe, que já estava cansada de me esperar, apagou num sono pesado. Peguei a garrafa do vinho dele e tomei um gole no gargalo mesmo.

Maurício parecia não ter sido programado pra reagir a atrevimentos meus. Parecia chocado, humilhado de me ver fazendo pouco caso pra algo que estava lhe consumindo.

Lembro que não gostei de vê-lo daquele modo. Seu olhar desconsertado diante dos escombros do que costumava ser seu altar. Respondi antes que tudo ruísse de vez, antes que até o entulho se tornasse pó.

“Você me faz mal.”

Ele me olhou profundo nos olhos. Estava dentro de mim novo. Nunca o fizera fisicamente, mas estava dentro de mim de todas as outras maneiras em que era possível ter me invadido. Seus olhos não desconsertavam mais. Se mantinham. Eram firmes e altivos de novo. Dono.

“Comer minha torrada é o de menos porque você ignora a minha existência.”

“O que você espera de mim?” Soberbo e dono do mundo outra vez. Ali, Maurício de volta.

Eu esperava o mundo. Flores, sorrisos, abraços e os devaneios vivos, feitos em carne, fincados no meu ventre do avesso. Esperava tê-lo para mordê-lo de de baixo, arranhar-lhe as costas com minhas unhas pequenas ainda que ilegível enquanto dentro de mim. Lamber-lhe o sal do pescoço, esforçado dentro de mim, satisfazendo-se, tendo, ganhando, possuindo.

“Eu espero as suas vontades.” E sustentei o olhar que me desmanchava ali mesmo inteiro. Não haveria muitas vezes em que eu ia poder fazer isso.

“E o que você vai fazer com elas?”

“Só respondo se suas vontades, hoje, não tiverem nada a ver com ficar longe de mim.”

“Isso me cheira à sua vontade. Achei ter te ouvido dizer que esperava as minhas.” Bebeu da taça como se tivesse perdido o interesse em mim.

“E quais são elas?” Eu, tentando manter equilibrada a roda, mas eu já tinha dado muito e só havia espaço pra mim, por baixo.

“Elas vão ser as vontades que eu tiver e as que você vai ter pra fazer.”

“Com isso já estou acostumado.”

“Então, do que reclama?”

“Reclamo porque suas vontades não têm nada a ver comigo.”

Ele ficou calado. Os olhos frios congelando tudo por dentro de mim. De novo, eles faiscaram ao me ver indefeso e solícito.

“Faz o seguinte”, ele disse, levantando. “Dá um jeito nessa mesa, toma um banho e vai no meu quarto.” E saiu.

Meu corpo ficou logo quente. Quente de desejo e quente de humilhação, a cara pegando fogo. Como é que aquilo podia me excitar? Como é que eu podia gostar de receber comandos como se fosse uma máquina na qual um operador aperta um botão e só precisa assistir a execução da tarefa desejada? Como eu não sabia. Sabia que gostava e que queria.

Arrumei a mesa sentindo o peso da humilhação em cada item que retirei dela. O banho foi humilhante igual, até porque precisava me ver limpo de todo, limpo em tudo o que ele pudesse querer usar. Era a primeira vez que fazia aquilo e me senti realmente envergonhado de ter que lidar com a minha imundície, mas eu estava acostumado a descer por Maurício.

“Meus pés, de novo.”

Me ajoelhei sem questionar e tomei seu pé nas minhas mãos com carinho e devoção. Eram os pés dele e estavam sendo entregues aos meus cuidados de novo. Massageava o olhava nos olhos, submisso e obediente. Maurício começou a tocar o próprio pau, duro diante da minha humilhação.

“Cheira.” Hesitei. Embora eu quisesse era declaração muito séria de nenhuma vergonha na vida. “Anda. Você tá doido pra isso. Cheira meu pé.”

Cheirei meio que de longe, mas Maurício empurrou o pé no meu rosto, grudando-o às minhas narinas que, instintivamente, puxaram o cheio como se respirassem pela primeira vez em muito tempo.

“Beija.” O olhei maravilhado. Era tão senhor. Tão dono de tudo. Beijei seus dois pés apaixonadamente, meu próprio pau enrijecido tanto que chegava a machucar dentro do short.

“Deita no chão.” Ele apontou para o lado da cama, eu deitei.

Ele sentou na cama e os pés caíram para fora bem por sobre o meu rosto.

“Põe a língua pra fora. Não quer fazer minhas vontades? Aí, tá uma delas.”

Maurício deslizou o pé nu pela minha língua várias vezes e suspirava.

“Isso. Fica aí, deitado com meu pé na sua cara.”

Meu rosto já estava lambuzado dos pés que se moralhavam da minha saliva e se esfregavam na minha pele.

“Come meu pé, seu viado.”

Assim eu fiz. Lambi a sola de seus pés me deleitando com aquilo, chupei seus dedos e lambi entre eles. Maurício gemia, se contorcendo e abaixou a bermuda revelando a pica rosa e babada, cheia de pelos por todo lado.

“Você quer isso?” Perguntou balançando o pau.

Fiz que sim com a cabeça quase que no mesmo ritmo em que ele balançava a rola.

“Lambe mais meu pé que eu te dou.”

E fiquei lá deitado lambendo, chupando e mordendo de leve os pés que Maurício me servia viril e cruelmente, esfregando sem pena e forçando, vezes até “estapeando” meu rosto com a sola enquanto se masturbava.

Então, sua respiração ficou mais ágil e os pés se forçavam mais incisivos contra minha língua. Ele, rapidamente, colocou um joelho de cada lado da minha cabeça e sem nenhuma aviso esporrou no meu rosto, me sujando todo, inclusive no olho.

Ficou ali até recobrar a respiração. Eu nem podia me limpar ou tirar a porra de sobre meu olho. Meus braços estavam presos por suas pernas. Eu fiquei quieto, esperando pra ver o que mais teria.

“Põe a língua pra fora.” Ele ordenou e limpou a cabeça gozada de sua pica encostando na minha língua só o suficiente para tirar sua sujeira.

Se levantou e imediatamente me disse:

“Acabou. Pode ir.”

Meu corpo todo estava em brasa, principalmente meu olho, que começava a arder. Mas eu pouco me importava. Saí do quarto levando em meu rosto a porra de Maurício. Me tranquei no meu quarto e me masturbei lambendo cada gota do leite dele que consegui extrair do meu rosto.

Eu me sentia baixo, mas aquilo me dava prazer. Nunca na vida tinha tido um orgasmo tão intenso.

Por mais que tivesse sido tão pouco, tão breve, algo me dizia que aquela não seria a última vez em que eu iria àquele quarto dar prazer a Maurício. Sim, porque, por mais apaixonado – e em conflito pela situação toda –, eu sabia que eu não passava de alguém que ele chamaria quando quisesse gozar. Mas era melhor ser isso do que não ser nada.


Continua...

O Vencedor - Capítulo 5

<<<Peço desculpas pelo tempo sem posts. Onde estou, não é muito fácil ficar online.>>>


O Vencedor 

Capítulo 5 

Sentei de frente pro mar no banco de pedra no calçadão.

“Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.” 

Me disse o outro ocupante do banco, o único amigo que eu tinha pra visitar.

Ele estava certo. Tirei da sacola a garrafa de catuaba que comprei num bar no caminho, servi dois copos e ofereci um ao meu camarada. Ele não tocou no copo. Ao invés disso, continuou tranquilo, muito quieto e pensativo, com os braços descansando sobre as pernas cruzadas.

Maurício não me amava. Eu podia inventar as mentiras que eu quisesse, podia dizer que o divórcio dos pais o tivesse mudado, que a criação na França, um outro povo, um cultura diferente, o tivesse tornado mais frio, até a morte do pai ou que se sentisse mal por ser um homem com sentimentos por outro homem... Eu podia inventar mil histórias, e inventava sempre, mas nenhuma delas servia pra esconder a verdade crua: Maurício não sentia nada por mim. Eu tinha sido, e só uma vez, a presa frágil e fácil que ele usara pra descobrir sua força e treinar suas habilidades pra usar com presas mais apetitosas.

Ele não me amava. E se as mentiras que eu me contava não serviam de nada, serviam ainda menos minhas tentativas de me fazer amado. Eu falo francês fluente. Estudei na expectativa de ir visita-lo lá e quando ficou claro que isso não aconteceria, continuei estudando porque talvez, assim, o impressionasse um pouco, conhecendo as bandas e filmes e tudo mais que ele pudesse estar conhecendo lá. Mal como porque sei que Maurício, do jeito que é, nem olharia pra mim se eu fosse gordo. Já nem olha, que diferença faz? Não tenho amigos porque canalizei toda minha energia, toda minha razão de ser em me tornar alguém de quem Maurício pudesse gostar e agora ele está de volta e tudo o que eu ganho é a maldita da indiferença.

“Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.” Meu companheiro disse com sabedoria. Eu já terminava o quarto copo e o dele continuava lá.

“Mas ele não me dá amor nenhum. Nem de graça e nem comigo tentando de tudo, entende?”

“Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.”

“É mesmo? Me diz você que é todo maduro aí e sábio, mas vive sozinho nesse banco.”

“Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.” Ele disse e riu.

“Você está enganado. O amor é a morte em pessoa.” Respondi carrancudo matando o último gole. Ele fez um aceno mostrando pouco caso ao que eu dissera.

“Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
depois vomitar e cair
e dormir.”

“Tem razão.” Eu me levantei. “E se não se importa vou pegar também este copo. Você não vai beber mesmo.”

Catei o meu lixo e também o copo que a boca de bronze de Carlos Drummond de Andrade jamais beberia.

Tomei um táxi pra voltar e paramos em um sinal bem a tempo de ver a apresentadora Eliana saindo de um restaurante com outras três pessoas. Achei aquilo curioso. Que sorte a minha, passar e ver alguém famoso vivendo a vida normalmente. Quase como ver uma estrela cadente. Mas meu sorriso se desfez, não demorou muito. Ela era a Eliana. A Eliana que tinha aquele sideshow, o Melocotom.

Maurício ganhara um boneco dele um vez num natal. Tinha sido alguém qualquer das relações dos pais dele quem tinha mandando o presente. Alguém que não fazia ideia de que aquele brinquedo em nada serviria a quem o estavam enviando. Ele já era adultinho demais para que brincasse com bonecos, principalmente bonecos idiotas como aquele. Fala sério! Melocotom não é presente que se dê a um menino de dez anos. Talvez, se o tivessem oferecido para o menino de oito que ali também morava, teriam recebido um cartão de agradecimento bastante mais agradecido.

No dia vinte e cinco de noite, ele e eu estávamos jogados no tapete fofo. Eu até hoje não sei que nome tem aquele material, pra mim é tapete fofo que tinha no quarto de Maurício. Ele estava me ensinando a jogar no GameBoy Advanced que ele mesmo tinha me dado de presente. Um pouco cansado de vê-lo jogando o tempo todo, virei meus olhos em uma direção qualquer cujo caminho revelou um roxo-rosa forte que me atraiu de volta. Meus olhos brilharam! Eu amava Eliana, o Melocotom e a tesoura sem ponta, mas o boneco não era meu pra que pusesse as mãos e apertasse seus botões de fala.

“Quem mandou você pegar o que é meu?” A voz dele soou imperativa como sempre, o pequeno rei a quem eu servia.

“Eu achei que...”

“Você achou errado. Deixa ele aí.”

Eu já tinha colocado o boneco de volta. Nem tinha necessidade dele me mandar deixar lá, mas ele como ele ficou sem ter o que me mandar fazer, preferiu deixar claro que não era pra pegar o Melocotom que ele nem queria.

Maurício ficou bem uns três dias sem brincar comigo, mal falava. E isso durou até o tédio consumí-lo por completo:

“Quer brincar com o Melocotom?”

“Quero.” Eu respondi vestido da minha personalidade fraca e falta de vergonha na cara.

“Mas tem que ser do jeito que eu disser.” Como em tudo.

Subimos pro quarto dele e, uma vez encerrados lá, ele começou:

“Vamos brincar de família. O Melocotom é o filho. Eu sou o pai e você vai ser a mãe.”

Eu não questionei. E dessa vez, não apenas pelo hábito de não contrariar Maurício. Só o que fiz foi esforço pra não deixar muito óbvio o quanto eu estava contente de brincar daquele jeito. Que estava contente de ganhar justamente aquele papel.

A brincadeira de “família” perdurou por alguns meses e logo detalhes precisaram ser arrematados a fim de verossimilhança. Sabe, tínhamos que fazer a coisa parecer real. Quando íamos ao mercado imaginávamos que comprávamos coisas para a casa da nossa família; se víamos TV, dizíamos que estávamos em nossa casa – volta e meia, Maurício mandava Melocotom fazer silêncio que era pra ele ouvir o jornal; quando almoçávamos, eu tinha que dar “aviõezinhos” na boca do nosso filho... E até deitávamos juntos para fazer de conta que dormíamos até quase a hora de dormir de verdade. Isso tudo em segredo, porque ainda que não entendêssemos muito sobre as coisas, sabíamos que não era certo que dois meninos brincassem daquele jeito.

“Meu pai beija minha mãe.” Maurício disse numa daz vezes em que deitamos pra dormir em sua cama. Minha cabeça descansava sobre o peito dele que tinha o braço em volta do meu pescoço.

“Mas a gente não pode.” Lembro bem que não falei por escrúpulo. Falei mesmo foi pra não deixar transparecer que aquilo era justamente o que eu queria.

“Não seja bobo. A gente beija com a mão na frente.”

Beijamos assim por um tempo, enganando-nos a nós mesmos sem nem darmos mais trela para o Melocotom que já nem era importante; como se tivéssemos dado nosso filho pra adoção ou coisa assim. Para beijar, beijávamos só com a mão de Maurício entre nossos lábios, mas nada havia entre nossos corpos quando deitávamos agarrados, eu normalmente de costas para ele, sentindo-o roçar-se em mim e respirar na minha nuca, sentindo seu calor e a sensação de derretimento que parecia infligir ao meu corpo.

Passaram-se alguns anos em que representamos esse teatrinho secreto de família, ainda que sem filho quase, até o dia em Maurício tirou a mão, me beijando direto na boca. Eu, que tinha os olhos fechados, fui tomado pelo susto e os abri arregalados para o sorriso safado estampado no rosto dele.

E fomos tirados da nossa fantasia com os gritos da briga que pôs fim ao casamento de Sônia e Armando. Maurício foi embora com o pai e o inferno todo começou.

Cheguei sem nem ter me dado conta da viagem. Digitei a senha no portão e entrei sem fazer barulho, mas a porta dos fundos estava trancada. Não acredito que minha mãe tinha dado aquele mole. Ela sabia que eu ia chegar tarde. Que mancada. Não tinha jeito senão entrar pela porta da frente com a chave reserva em baixo de uma das pedras do jardim. Nossos quartos não tinham entrada privativa. Morávamos na casa dos outros e isso era sempre muito bem deixado claro.

Abri a porta com todo o cuidado, tinha que passar pelas salas de estar e de jantar para então chegar ao hall que dava no corredor para a cozinha sem fazer barulho e no escuro. Eu ia já passando impune pela sala de jantar, cuidando dos meus passos quando o silencio foi cortado por um barulho de líquido sendo servido.

Eu me senti gelar inteiro porque tinha certeza de quem estava ali. Olhei na direção do som com olhos mais acostumados ao escuro e pude discernir o formato de Maurício levando uma taça à boca. Fiquei congelado sem saber o que fazer. Não sabia se devia continuar e desaparecer ou se devia pelo menos cumprimenta-lo.

“Sua mãe tá preocupada com você.” Maurício falou com sua voz grave e indiferente. “Vai lá avisar pra ela que chegou.” Ordenou.

“Eu já ia fazer isso.” Me permiti essa rebeldia.

“E volta aqui que você ainda não respondeu minha pergunta.” Outra vez o tom altivo de ordem.



Continua...