segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O Vencedor - Capítulo 19

O Vencedor  
Capítulo 19 


Às carreiras como saímos, minha mãe e eu não tínhamos tido chance de trocar mais que perguntas objetivas e comandos. Cheguei correndo e, correndo, saímos. Lembrei de conferir se ela trazia os óculos, o remédio da pressão e o da dor de cabeça. Lembrei de ligar para minha tia e para Seu João - que conseguia chegar a tempo de nos levar. Lembrei de mandar mensagens muitas para Maurício e de fazer isso pelo "FaceTime" para que Fernando não me visse online no "Whatsapp". O que só piorou minha situação, porque, agora, era ignorado em dois aplicativos diferentes. No afã da partida, no ardor do silêncio e na culpa da crueldade, só não lembrei de olhar para minha mãe e perceber o quanto ela estava abatida. 

Uma vez no assento, não havia mais nada que eu pudesse fazer para chegar; a gastura que me dava a indiferença de Maurício varria, sem grande esforço, todo o frágil remorso que o rosto triste de Fernando tentava me trazer; e como sofrer pelo Todo-Indiferente já era coisa que eu fazia com o pé nas costas, tive tempo, enfim, de deixar baixar a adrenalina e foi, então, que vi minha mãe.  

O cenho endurecido, misturado de tristeza e aflição, se juntava à palidez do rosto, que contrastava com o negrume das olheiras. Só precisei segurar sua mão e minha mãe parou de medir forças com o choro. 

Um choro sofrido, comprimido e íntimo. Um choro que ela parecia não querer deixar sair, não por vergonha ou pela honradez de esconder que chora. A mulher ao meu lado não chorava causas ainda não perdidas. Era como ela dizia. Tinha aprendido com a mãe que chorar de véspera chama o choro concreto. Mas se não conseguia segurar o pranto desta vez devia ser porque já tinha dado a causa como perdida, seus olhos viam circunstâncias, a tempestade, e não o homem dormindo dentro do barco. Eu também não O via.  

"Eu  com medo." Confessou depois de algum tempo chorando em silêncio e pra dentro.  

"Mãe, a gente sabe que ela tá debilitada. O pior pode acontecer." Ela assentiu repetidamente descrevendo uma careta dura e muito molhada.  

"Eu só quero chegar a tempo."  

"A gente vai chegar. Vocês ainda vão ter muito tempo pra ficarem juntas." E minha mãe soltou uma risada repentina que acendeu seu rosto vermelho. 

"Você fala tão bonito, meu filho." Foi minha vez de soltar uma risada.  

"Deixa de ser boba."  

"Fala sim. As palavras saem bonito da sua boca e não fica parecendo um robô, sabe. Eu tenho muito orgulho.” Ela sorriu incontida, mesmo que tentasse se conter. Aos olhos molhados, se juntou mais um molhadinho, que parecia até que expulsava as lágrimas tristes quando os olhos se fecharam, empurrados pelas maçãs risonhas. “Eu não me arrependo de nada." Desfez-se o sorriso.  

"Como assim?" 

"Não me arrependo. De ter saído de São Luís, por aceitar... morar de favor, sabe. Viver da bondade dos patrões. Vocês não iam tá, assim, bem, falando desse jeito se eu..." 

"Vocês?" 

"É. Você e as meninas de Dalva."  

"Ah."   

Minha mãe mandava dinheiro para ajudar na educação das minhas primas, que embora estudassem em escola pública, faziam alguns cursos pagos. Tia Dalva tinha as gêmeas, Lívia e Lilian, e um filho mais velho, Pablo, para quem minha mãe parou de destinar quantias quando se tornou claro que não era muito chegado a estudar.

No resto da viagem, minha mãe seguiu ligeiramente mais sossegada e até nos vimos no clima para um chá calmante no curto intervalo no Aeroporto de Guarulhos. E o chá nos acalmou tanto que nos deixamos adormecer no conforto totalmente reclinável da primeira classe logo que decolamos, para São Luís, de vez, agora. 

Nem preciso dizer que a primeira coisa que fiz com os pés no Cunha Machado (mas também em Guarulhos) foi correr ao celular afoito de expectativa para, então, descobrir que todo e qualquer aguardo tinha sido, muito naturalmente, vão. O ruim dessas mensagens instantâneas é que se tem a sensação de que a qualquer momento você pode ser surpreendido com a chegada da resposta que tanto espera. O que é ainda pior é que todos estes instantes vão se aglutinando, pesados, a cada vez em que passam sem que a resposta chegue. Se era árduo e, por que não, humilhante para Marianne Dashwood ter de perturbar o mordomo à custa de uma carta que Willowghby jamais escreveria, arde ainda pior em nós cujo mordomo vive à mão e cuida que cada um daqueles instantes possa ser saboreado e observado se empilhar por sobre todas as horas de espera. Uma grande Babel de instantes amargos. 

"Please, Mr. Postman. Look and see if there's a letter in your bag for me." Eu chorava em coro na minha intimidade.  

"Ali." Disse minha mãe. "Pablo tá ali."  

Mesmo não o tendo visto por muitos anos, não era exatamente difícil percebê-lo destoando de todas as outras pessoas pelo saguão de desembarque. O meu primo era a mesma coisa de antes: blusa de marca, bermuda de marca e chinelos de marca. Ouro, ou pelo menos, dourado, era esbanjado em seu pescoço e pulso e dedos em correntes grossas e anéis grosseiros. No rosto, a mesma expressão lesada de maconheiro com que tinha se despedido de mim da última vez.  

"Ô, tia." Ele disse num sorriso grande abrindo os braços para abraçar minha mãe e pude ver o cigarro que guardava atrás da orelha. Ele tinha um jeito meio bronco, mas malandreado, todo trabalhado na malemolência.   

"Como é que ' tá, meu filho?" E aquela coisa toda... 

"Éguas, tia! Não vai dizer que esse aqui é o Chorinho?" Me limitei a rir por cortesia  

Chorinho era como ele me apelidara tempos atrás quando eu era uma criança que passava o tempo todo chorando. "Caramba! Tá crescido." E me abraçou com aqueles brações musculosos, enterrando meu rosto em seu peitoral proeminente. O cheiro do desodorante squeeze que usava provocava arranhões esquisitos nas minhas entranhas.  

"Tudo bem?"  

"Muito melhor agora." Ele disse. "Vamo?"  

Pablo colocou nossas malas num carrinho que saiu empurrando pra fora do aeroporto. O carro dele era um Fiat Uno velho, de duas portas e lataria remendada com massa cinza.  

O céu já ia vermelho-arroxeado querendo deitar de vez e descansar no anil do céu profundo. Minha mãe, no banco de trás com as malas e eu no carona, com os olhos fixos no celular pronto pra me sobressaltar a qualquer instante.  

"Visto por último às 15:43." 

“Mas e aí, Chorinho? Como é que tá lá no Rio?” Meu primo me perguntou porque não conseguia pensar em nada melhor pra preencher o silêncio. 

Realmente, eu não tinha saco para aquele small talk todo. Saco nem cabeça. Ao contrário de mim, que não tive escolha senão gastar o tempo que eu podia estar investindo em esperar Maurício Willowghby me responder, você não precisa gastar seus olhos com a desinteressante pequenez de Pablo. Bem, mas à frente, porém, você talvez se interesse pelo que ele tinha de grande. Mas, pra ser honesto, a única coisa relevante que se disse naquele carro foi:  

“Não. Vamos direto pro hospital.” Minha mãe, quando Pablo disse que a família tinha se reunido toda na mãe dele para ver a gente 

Minha avó já tinha sido transferida para o hospital caro que o dinheiro de Maurício podia bancar, e estava dormindo, talvez, sedada, quando chegamos lá. Tia Glória, esposa do meu tio Osmar, era quem a acompanhava no quarto individual.  

Abraços, beijos, como vais e perguntas amenas outras que se repetirão ainda por mais alguns parágrafos aqui.  

Minha mãe, então, acorreu à cama onde se debruçou a beijar o rosto da minha avó repetida e delicadamente. Eu me aproximei e lhe beijei na testa e ela continuava a ressonar profundo.  

Tia Glória contou, meio que indignada, meio que envaidecida e dignificada, que deveria ter sido rendida por tia Dalva desde o meio dia, mas esta pediu para adiar seu turno a fim de preparar “as coisas” para nossa chegada.  

“Pelo menos aqui dá pra tomar um banho decente e dá até pra deitar e dormir aí.” Disse a tia que parecia querer uma estrelinha dourada pra colocar na testa.   

Ela estava apontando o sofá de couro que parecia até bastante confortável, mais confortável ainda se viesse com Pablo sentado com seus pernões peludos abertos, como ele estava agora.  

“Não tem nem comparação com onde tava, né, Glória?” Ele disse porque quando meus tios casaram, ele já era crescido.  

Ai, nem me fala. Gente moribunda pra tudo que era lado, tudo junta, gemendo. E só aquela cadeirinha de ferro gelada pra passar a noite.” Ela riu.  

Pablo me surpreendeu olhando para as suas pernas e, de maneira automática, massageou o pau por cima da bermuda. Desviei meus olhos com presteza. Eu precisava cair na real e me dar conta de onde eu estava.  

Alguém deu uns toques na porta e entrou.  

“Boa noite. O horário da visita terminou.”  

“Vamos, mãe.” A tomei pelo braço.  

“Eu não vou. Vou ficar aqui.”  

“Que isso, Edite... Eu fico mais essa noite.” 

“Não você vai e descansa. Eu fico.” 

“Então, eu vou ficar com a senhora.”  

“Não. Você vai. Você emendou duas viagens. Vai tomar um banho e descansar. E comer que Dalva deve ter feito um monte de coisa lá.”  

“Vai ficar bem?”  

“Eu  bem.  onde eu mais queria estar, meu filho. Pode ir.”  

“Tá.” Não tinha mais o que questionar.  

“Então, tudo bem.” Tia Glória, prontamente de pé, refazendo o rabo de cavalo. “Pablo, me dá uma carona?”  

Simbora.”  

Tia Glória ficou pelo caminho. A casa dela não ficava no quintal em que a família morava.  

“Aí, deve tá deixando muito marmanjo nervoso no Rio, hein?” Pablo não precisou de muito tempo a sós comigo para se engraçar“Magrelinho desse jeito, com essas roupa aí. Ó o cabelinho.”  

“Sei lá, ué. Eu deixo os marmanjo nervoso, marmanjo?” Perguntei todo atrevido que me vi. Eu nem sabia onde, ou quando, eu tinha aprendido a ser assim, ousado, me atirando...  

Ele riu e não falou nada, quando finalmente parou o carro em frente à casa de sua mãe, ele pegou na metade nua da minha coxa,  me olhou bem no olho, sorriu e saiu do carro.  

“Eu vou dar pra você.” Falei pra dentro assistindo-o sair.  

Eu saí em seguida e, cheio de audácia, o ultrapassei, me colocando à sua frente. O sentia bem próximo a mim, seus pés quase pisavam nos meus. Tratei de agitar os cabelos bem ao alcance de suas narinas porque queria inebriá-lo com o cheiro do shampoo importando que a futilidade de Sônia me permitia. Empinei ligeiramente a bunda enquanto empurrava o portão e ia sentindo sua mão a milímetros da minha cintura - que é onde eles pegam quando te querem posse -, e já ia me amolecendo e desejando, mas resisti à vontade e me adiantei deixando sua mão se fechando ao redor do vácuo.  

“Eu vou te dar. Calma.” Disse, de novo, pra dentro e sorrindo de safadeza.   

Apesar de o portão que eu tinha acabado de abrir ser o mesmo de que me lembrava, só que ainda mais velho e carcomido, o quintal que ele fingia guardar, tão sem tranca, coitado!, tinha se transformado bruscamente. E infelizmente, não tinha sido pra melhor.  

O chão parecia ter sido cimentado, mas logo descobri que não: a falsa ideia se dava apenas pelo acumulo de restos de concreto que foi sendo misturado ali ao longo dos anos.  

As muitas paredes de tijolo cru explicavam a quantidade de massa. A família tinha crescido e se disseminado em construções mal engendradas pelo quintal da minha avó. Bem, deste só restava um corredor atulhado, com roupas no varal e uma vala por onde corriam os dejetos da família. O cheiro era bem desagradável, mas eu já o conhecia de outras vindas.  

A única casa pintada, e à cau, era a casa em que minha avó morava com tia Dalva e as meninas. E era exatamente lá que eu estava sendo esperado.  

Beijos e abraços, ai que alegria e sua mãe, cadê?, cresceu, tá um homem, Meu Deus, não vai cortar esse cabelo?, vai ser um jornalista, olha isso, menino, você precisa tomar sol, é tão inteligente, você tem que ver, parece até doente, essa madame não deixa vocês comerem na casa dela não?  

Eu ri, ri de novo, comentei uma amenidade qualquer, e resolvi rir outra vez, até que comecei a forçar meus olhos a rirem também. Um celular qualquer sinalizou mensagem e aquilo foi como um soco no meu estômago. Eu realmente tinha me desligado de Maurício. Bem, tinha lembrado dele enquanto me oferecia pra Pablo lá fora, mas não foi tão intenso quanto quando ouvi a notificação alheia.  

“Deixam a gente comer, sim. E eu como bastante até. Não sei pra onde vai essa comida toda.”  

“Mas como mora no Rio de Janeiro e me chega branco desse jeito?” Perguntou meu tio Jorge.  

“Do mesmo jeito que Lívia mora em São Luís e parece um fantasma de tão branca.” Me defendi. 

“Ei, preciso honrar meu nome, tá bom?”  

“A pálida.” Veio Lilian rindo-se da irmã. “A apagada, insossa.”  

“Melhor do que ser acesa demais.” Lívia olhou significativamente para a outra.  

“E as gatas lá?” Jorginho era um primo com quem eu muito pouco já tinha falado na vida. Era uns vinte anos mais velho que eu e nunca fez questão de ser legal comigo. 

E eu podia sentir os olhares sendo trocados, pesados, ao meu redor à pergunta dele.  

“Zero gatas.” Respondi de pronto. Joguei, meus cabelos e acrescentei: “Agora, se quiser saber dos gatos, aí, sim, tenho histórias pra te contar.”  

O rosto dele se desfez. Algumas pessoas riram, a mulher dele, inclusive. Mas o que me chamou a atenção foi o filho dele, o Natã. O garoto tinha aí uns nove anos e se endureceu por completo olhando do pai pra mim e para o pai de novo, aquilo no rosto dele parecia pavor.  

“Então é comigo mesmo que você tem que falar.” Lilian me tomou pelo braço. “Quero saber tudo sobre os gatos do Rio, vai que eu me mando pra lá...” Ela me puxou pra fora do centro da sala.  

Daí começamos a comer. E não paramos mais. Ainda podia se sentir certo peso causado pela minha revelação, assim, de maneira tão brusca, mas apesar de serem minha família, eu não devia nada a nenhuma daquelas pessoas ali. E já estava bastante claro que eu não lidava com gatas coisa nenhuma na minha vida. Ele não precisava ter vindo com aquela boca de dentes feios dele cutucar nada.  

Na manhã seguinte, assim como antes de dormir, acorri ao celular, mesmo que sem esperança, mas com alguma (já que fui ver), pra dar de cara mais uma vez com o “Visto por último ontem às 15:43.” no perfil de Maurício. Ele era tão bom em ignorar que nem o Whatsapp ele abria pra deixar bem claro que não dava a mínima, que nem se dignava a ler as minhas mensagens.  

As meninas tinham ido pra escola e tia Dalva tinha ido trabalhar, como tinham me avisado. Eu estava sozinho e me permiti extravasar a minha raiva. 

“Nojento!” Meio que gritei encarando a foto, linda, dele. “Eu te odeio. Você tá entendendo? Eu odeio você.” Joguei o celular de lado e comecei a socar o travesseiro da cama em que dormi, no chão.  

“Nem encostei em você ainda. Por que essa raiva toda.” Pablo surgiu do lençol pendurado que era a porta do quarto das minhas primas.  

“Você tá aí?”  

“Não. Sou uma visão.”  

De fato. Ele estava usando uma bermuda pesada de camurça em que se lia Cyclone. E somente ela. Seu peitoral moreno-vermelho e forte, coroado pelo dourado da corrente que ele usava. A barriga quase saliente de homem que ia amadurecendo, se firmando homem, com pelos negros e crespos... A cara de cafajeste, o sorriso, o olhar, o tom de voz, tudo de cafajeste e as mãozonas pesadas, também de cafajeste, com os anéis de bicheiro cafajeste.

“Desculpa. Eu achei que tava sozinho.” 

“Quem é o infeliz?” Veio entrando no quarto.  

“Um idiota aí. Nem quero pensar nele.”  

“Quer ajuda pra esquecer?” Segurou no pau, fazendo-o parecer enorme e convidativo. 

Eu não tinha nem o que pensar. Estava doendo e eu precisava de um analgésico. Nem estava lá tão lascivo assim, tão precisado. Estava com fogo naquela homem em pé, com o pau na mão, na minha frente, mas se Maurício estivesse respondendo as minhas mensagens e fazendo até chamada de vídeo, por que não?, eu teria dado uma resposta bastante diferente a Pablo:  

“Só preciso de um banho.” E que se foda Maurício.  

Eu realmente estava muito mal acostumado, vivendo em padrões muito mais elevados do que meu, e dos meus, verdadeiro poder aquisitivo podia bancar. Se eu não tivesse morado de favor na casa de ricos desde que nasci, com certeza estaria mais acostumado com aquele tipo de banheiro. Mas esse não era o caso.  

Parece que alguém fez a escolha errada, não é?” Me disse baixo encarando meu reflexo no espelho comido e manchado. “E é exatamente por isso que você não o quer, seu idiota.”  

Não cheguei a me sentar no vaso e não me atrevi a tirar os chinelos dentro do box. A toalha, porém, estava bem limpinha e cheirosa. Nem me dei ao trabalho de me vestir. A ocasião pedia nenhuma roupa.  

Pablo parecia compartilhar da mesma opinião. Já estava nu, me esperando no colchonete no chão.  

Larguei a toalha e me ajoelhei, abrindo a boca pra engolir o pau escuro, lindo e, infelizmente, depilado, mas Pablo me puxou e jogou contra o colchonete e se pôs em cima de mim, me olhou com aqueles olhos de cafajeste e me enfiou a boca na minha boca.  

O beijo dele era tranquilo. Beijava como se quisesse conhecer minha boca, sentir o gosto dela. Beijava carinhoso, acariciando meu corpo, pesando por sobre mim. Logo me vi rendido, alisando suas costas, abrindo minhas pernas e entrelaçando-o com elas.  

“Isso. Igual uma menina.” Ele disse cheio de doçura na voz.  “Assim que eu gosto. Bem florzinha.”  

Eu gemia fino pra ele e ele me incentivava a gemer assim mais. Dava pra sentir sua tesão, dura, melando o meio das minhas coxas, seu cheiro de desodorante barato, a aspereza dos calos das suas mãos conhecendo a maciez do meu corpo, o brilho dourado da sua corrente e a sensação gelada quando ela relava minha pele... Tudo nele me enlouquecia, mas principalmente o jeito como ele me tratava.   

Pablo não parecia ter pressa em me possuir. Era calmo, beijava manso, mas não tinha nada a ver com o jeito de Fernando. Era como se Maurício tivesse ficado menos pervertido e mais apaixonado. Era como eu sentia ali sob meu primo.  

Ele lambia meu pescoço e orelhas e voltava pra me beijar e voltava às minhas orelhas e, toda vez que ia nelas, aproveitava pra sussurrar que eu ia ser a mulherzinha dele.  

“Já teve um homem de verdade dentro de você ou só ficou se esfregando com viadinho?” 

Eu bem que considerava Maurício um espécime de homem de verdade e viril, mas se homem de verdade significasse aquele que eu tinha ali em cima de mim, Maurício não passava mesmo era de um moleque mirrado (moleque mirrado por quem eu largaria todo e qualquer homem de verdade que surgisse em meu caminho). Isso, somado ao fato de que precisava polir o ego do único homem que eu tinha momento, me fez responder que não.  

“Nunca. Você não faz ideia de como eu  me sentindo agora.”  

“É, flor?” Me perguntou, mordiscando meu queixo. “Me conta."  

“Eu  me sentindo realizado pela primeira vez.” O que não era mentira. Por mais maravilhoso que fosse com Maurício, ser tratado daquele jeito por um homem daqueles era diferente e mexia comigo de um modo meio louco e eu queria ser dele, muito embora soubesse que ele nunca me possuiria por completo. Só havia um que o podia fazer. “Me dá uma vontade de ter você dentro, de sentir você se enfiando em mim, lá no fundo, colocando leitinho em mim.” Falei bem como essas mulheres de filme pornô.  

“Você quer leitinho dentro de você?” Fiz que sim com a cabeça. “O primo bota leitinho dentro do Chorinho. Bota muito leitinho lá dentro.”  

Pablo me virou de bruços e foi lambendo da minha nunca até o meio da minha bunda. Ele lambia bem molhado e tentava enfiar a língua no meu buraquinho que ia se abrindo pra ele, pedindo que viesse todo de uma vez pra dentro.  

“Ai, Pablo.” Choraminguei, desmunhecando bastante. “Come seu priminho, come?” E rebolava em seu rosto.  

Pablo, como que rosnando, se deitou todo em cima de mim. Passou um braço por baixo do meu pescoço e encaixou o pau bem na portinha do meu cu. Ele realmente, estava sem pressa, ficou ali como quem bate à porta, forçando a cabecinha macia do seu pau no meu cu que se abria e se fechava quando ele desfazia a força. Aquilo estava me enlouquecendo e tal efeito parecia diverti-lo. 

“Tá doidinha pra levar pica, né?” E ria descarado.  

. Vem. Entra.” Eu já estava meio que implorando.  

Então, o senti entrar. Bem devagarinho, ele entrou. Pude sentir entrar cada pedaço daquela pica longa que não acabava nunca. Ele gemia de satisfação, maravilhado.  

“Nossa, como é quentinha, ela. Cuzinho macio, molhadinho.”  

Ele estava todo dentro e parou lá quieto sem se mexer. Eu podia sentir sua púbis depilada no meu rego liso. Ele mordia meu maxilar e pesava sobre minhas costas, eu sentia o cheiro de seu desodorante e me amolecia mais, me rebolava, piscava meu cu em volta daquele pau que ele fazia pulsar dentro de mim.  

“Que florzinha mais gostosa. Caralho, vou acabar te machucando.” Ele ia e vinha quase sem tirar nada de dentro. 

“Machuca.” Levantei a mão pra trás e o puxei pra mais perto pela nuca. “Machucar vai te dar prazer? Então, machuca. Tudo o que o meu macho que quiser eu fico feliz em fazer. Fica com medo não. Pode machucar.”  

Mas ele não fez isso. Pelo contrário. Pablo fez amor comigo. Parece estranho falando assim, mas foi como foi. Era exatamente como se Maurício e Fernando tivessem se fundindo num homem só. Um homem que sabia, de fato, como fazer a coisa.  

O prazer de Pablo parecia estar em sentir as paredes do meu cu enquanto passeava com seu pau por ele. Ele tinha prazer em me trancar com os braços, em me morder as orelhas, em pesar em cima de mim e me dizer coisas, me chamar de linda, de gostosa e em reclamar do fato de eu morar tão longe.  

“Caralho, ia te botar leitinho todo dia. Ia ser o viadinho do primo.” Dizia enquanto me empurrava pica e ofegava no meu ouvido.  

Ai, Pablo. Que gosto...” E o gozo me veio desavisado, sem que eu me tocasse. Gemi fino e efeminado, rebolando como se meu cu fosse um bambolé e o pau dele fosse uma cintura.  

Ele se tornou um pouco mais agressivo ao perceber que eu gozava.  

“Toma pra você. Não queria leitinho dentro? Ai, toma, seu viadinho.” Mordendo os dentes e vociferando.  

Pablo se deixou cair em cima de mim, me beijando a nuca arrepiada.  

“Ah.” Suspirou ao dever cumprido. “Sempre quis leitar esse cuzinho.”  

Continua...  

11 comentários:

  1. Você voltoooooooooou! Conto impecável como sempre. Espero que você esteja bem <3

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    1. É. Tô conseguindo vir com mais frequência.
      Vamos ver até quando.
      Estou bem sim. Melhor do que eu poderia estar.
      E você? Como vai?

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  2. Me conte como foi para na prisão??? Pfvr......e essa história é real?? Aconteceu com vc???? Você vai continuar com o Maurício, diz que sim........

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    1. Já, já te conto tudo.
      Foi você que fez um comentário parecido no "Capítulo 20?"

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    1. Trouxe, viu? O amanhã em questão, era ontem. E trouxe hoje também. Boa leitura.

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  4. Olá estou demasiadamente envolvido nessa história , fico imaginando como seria o Maurício o Abel , o Mauricio vejo ele com cara de riquinho cabelos cacheados tipo o Narzizo de segundo Sol ou meio Caio Castro , vou esperar o próximo capítulo ansioso... abraços

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    1. Obrigado por se envolver.

      Olha, não sei quem é Narciso de segundo Sol. rs
      Bem, acho que você pode imaginar Maurício, e até eu mesmo, como você bem desejar. Isso é que é legal em ler.
      Mas já que você tocou nesse ponto, posso te dizer que o cabelo de Maurício era bem curtinho, asa delta, bem baixo. E quem me dera que ele tivesse esse tom moreno-perfeito do Caio. Papo de um moreno puxado pro cinza, se é que posso descrever assim.
      Mas, quanto à cara de riquinho, você acertou em cheio.
      Se ele fosse parecido com o Caio Castro, eu tinha cortado os pulsos no começo desse sofrimento todo e não ia ter história nenhuma pra contar... rs
      Brincadeira. Não trocaria um Maurício nem por mil "Caios-Castros".

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  5. Sensacional maravilhoso como todos os outros estava apaixonado pelo Mauricio e agora estou tambem pelo Pablo

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  6. Estou relendo os contos e imaginando a delicia que este Pablo deveria ser nos outros contos fale mais sobre ele

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